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Resumo da Apresentação

A Elasticidade Estilística da Arquitetura Vaiṣṇava: Adaptação e Persistência em Dois Programas Templários dos Séculos XVI–XVII

Santiago Daniel Farias (Sridama Sakha Das)
História · Arquitetura · Estética · Tradição Vaiṣṇava

Resumo

Esta apresentação propõe uma abordagem estética e morfológica para o problema mais amplo da adaptabilidade arquitetônica do Vaiṣṇavismo.

Diante de uma leitura histórica que reconstrói os processos de contato, poder e mecenato que explicam a expansão da tradição, esta contribuição busca mostrar como esses processos permanecem inscritos na própria forma dos edifícios e em sua ornamentação: a arquitetura do templo e seu programa iconográfico são lidos como um arquivo material dessa adaptabilidade, e não simplesmente como sua consequência decorativa.

O fio condutor é a noção de elasticidade estilística: a capacidade do Vaiṣṇavismo de absorver vocabulários formais externos — vernáculos ou de matriz islâmica — sem perder sua identidade iconográfica nem sua função ritual.

São contrastados dois casos pertencentes ao período dos grandes mecenatos: os templos de terracota de Bishnupur, em Bengala, construídos no século XVII sob a dinastia Malla, e o templo de Govind Dev, em Vṛndāvana, de 1590, associado ao mecenato de Rājā Mān Singh durante o reinado de Akbar.

A hipótese é que essa elasticidade não responde apenas ao pragmatismo político ou a uma tolerância circunstancial, mas constitui um traço estrutural de uma tradição que, não possuindo uma autoridade geográfica e institucional única, desenvolve mecanismos de tradução estética capazes de sustentar sua continuidade sob relações de poder em transformação.